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Índices de ataques de tubarões na costa brasileira

Os ataques de tubarões estão entre os acontecimentos que mais despertam atenção quando o assunto é segurança nas praias brasileiras. Apesar da grande extensão do litoral do país e da presença de diversas espécies de tubarões em águas brasileiras, os incidentes envolvendo seres humanos são concentrados principalmente em determinadas regiões
Entre os locais de maior destaque está o litoral de Pernambuco, especialmente a Região Metropolitana do Recife. Desde 1992, o Estado mantém registros sistemáticos de ocorrências envolvendo tubarões, permitindo identificar áreas de maior risco e desenvolver medidas de prevenção.
Pernambuco é o principal ponto de atenção
Pernambuco possui um histórico particular de incidentes com tubarões. Em 2023, o número de ocorrências registradas no Estado desde 1992 chegou a 77 casos, sendo 67 na Região Metropolitana do Recife e 10 no arquipélago de Fernando de Noronha.
Dentro da Região Metropolitana, os registros se concentram principalmente em um trecho entre a Praia do Pina, no Recife, e a Praia do Paiva, no Cabo de Santo Agostinho. Segundo pesquisadores citados pelo Conselho Regional de Biologia, 60 dos casos registrados até aquele momento ocorreram nesse trecho.
A região de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, também aparece entre os pontos de maior concentração de ocorrências.
Por que os incidentes acontecem?
Não existe uma única causa capaz de explicar todos os ataques. A presença de tubarões próxima à costa está relacionada a características ambientais, disponibilidade de alimento, condições oceanográficas e alterações provocadas pela atividade humana.
Pesquisas realizadas em Pernambuco também investigaram a influência de alterações ambientais e da configuração da costa sobre a aproximação dos animais.
Um dos fatores estudados é a existência de um canal profundo que acompanha parte do litoral entre o Recife e Jaboatão dos Guararapes, podendo favorecer a circulação de tubarões de maior porte próximos à faixa costeira.
Quais espécies estão envolvidas?
Entre as espécies identificadas nos estudos realizados em Pernambuco estão o tubarão-cabeça-chata (Carcharhinus leucas) e o tubarão-tigre (Galeocerdo cuvier). Pesquisadores também consideram a ocorrência de outras espécies na região.
É importante lembrar que a presença de um tubarão no mar não significa que haverá um ataque. Esses animais fazem parte dos ecossistemas marinhos e, na maioria das situações, não representam uma ameaça direta aos seres humanos.
A prevenção é fundamental
Para reduzir o risco de incidentes, órgãos públicos e pesquisadores defendem medidas de monitoramento, fiscalização e educação ambiental.
Em Pernambuco, o Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (CEMIT) atua no acompanhamento da situação e na orientação da população. Especialistas também defendem campanhas educativas para que banhistas conheçam as condições do mar e respeitem as sinalizações de segurança.
Entre as recomendações está evitar entrar no mar quando houver sinalização de perigo, respeitar áreas interditadas e seguir as orientações dos órgãos responsáveis pela segurança das praias.
Tubarões também precisam de proteção
Embora os ataques recebam grande atenção, existe outro lado dessa questão: os tubarões também estão entre os animais marinhos mais ameaçados.
A pesca excessiva, a captura acidental e a degradação dos ambientes marinhos representam ameaças importantes para diversas espécies. Em Pernambuco, por exemplo, órgãos ambientais iniciaram em 2025 uma avaliação específica do estado de conservação de tubarões e raias. O trabalho analisou 57 espécies utilizando critérios técnicos da IUCN e do ICMBio.
Por isso, a discussão sobre segurança nas praias precisa caminhar junto com a conservação dos ecossistemas. O objetivo não deve ser eliminar os tubarões, mas encontrar formas de reduzir os riscos e permitir a convivência entre seres humanos e a fauna marinha.